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Segunda, 18 Dezembro 2017

Filarmônica de Minas Gerais recebe o pianista Fabio Martino e apresenta obra do compositor Pedro Lutterbach

Postado por  Publicado em A Orquestra Terça, 03 Outubro 2017 00:00
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Filarmônica de Minas Gerais recebe o pianista Fabio Martino e apresenta obra do compositor Pedro Lutterbach Friedrun Reinhold

Nos dias 5 e 6 de outubro, o pianista Fabio Martino é o solista convidado da Filarmônica e interpretará o Quinto Concerto para piano de Villa-Lobos. Na mesma noite, será apresentada a obra O Coração do Curupira, do compositor Pedro Lutterbach, finalista do Festival Tinta Fresca de 2016. Sob regência do maestro Fabio Mechetti, a Orquestra interpreta, ainda, a Sinfonia nº 12, de Shostakovich, conhecida como “O ano 1917” e inspirada na vida do líder russo Vladimir Lenin. Também no dia 5 de outubro, a Filarmônica de Minas Gerais apresentará sua Temporada 2018 ao público e lançará a Campanha de Assinaturas.

 

Na série de palestras sobre obras, compositores e solistas que a Filarmônica promove antes das apresentações, das 19h30 às 20h,o palestrante das duas noites será o percussionista da Filarmônica de Minas Gerais e curador dos Concertos Comentados, Werner Silveira. As palestras são gravadas em áudio e ficam disponíveis no site da Orquestra.

 

O repertório

 

Pedro Lutterbach (Belo Horizonte, Brasil, 1982) e a obra O Coração do Curupira (2012)

 

Residente no Rio de Janeiro, o mineiro Pedro Lutterbach é pianista, professor e compositor. Graduou-se em Piano em 2006 no Conservatório Brasileiro de Música, onde frequentou as classes de Maria Tereza Soares e Maria Teresa Madeira. Foi Madeira quem lhe despertou o interesse pela música brasileira, principal referência e fonte de inspiração para Lutterbach. Ao ler para seu filho o livro Lendas e Mitos do Brasil, de Theobaldo Miranda Santos, Lutterbach deu-se conta de que certas narrativas brasileiras jamais haviam inspirado a composição de música de concerto. Isso o levou a escrever duas peças baseadas nas histórias de Miranda Santos, O pássaro mágico e O Coração do Curupira, obra que recebeu menção honrosa no Festival Tinta Fresca de 2016. Curupiras são geralmente representados como anões de cabeleira ruiva, corpos peludos e com os pés para trás. Na mais antiga referência a essa figura, datada de maio de 1560, José de Anchieta os descreve como demônios da floresta. Com assobios e rastros falsos, eles ludibriam caçadores, seringueiros e roceiros. Apreciadores de fumo e pinga, são ambivalentemente bons e cruéis, bem-humorados e violentos. Concebida em duas grandes seções que recombinam motivos melódicos e fragmentos, O Coração do Curupira explora o jogo entre o lúdico e o sombrio característico das lendas brasileiras.

 

Heitor Villa-Lobos (Rio de Janeiro, Brasil, 1887 – 1959) e a obra Concerto para piano nº 5 (1954)

 

Na vasta obra de Villa-Lobos, os concertos para instrumentos solistas se destacam pelo número e pela variedade. A personalidade do compositor se adaptava bem ao gênero, ele próprio se projetando no papel de solista e idealizando a orquestra como um cenário. A maior parte dessa produção concentra-se nos últimos 14 anos de sua carreira, quando escreveu 12 concertos — entre eles, os cinco para piano. Em 1923, Villa-Lobos dava um passo importante em sua carreira, trocando o Rio de Janeiro por Paris, a metrópole das vanguardas artísticas. Na voga de “exotismo selvagem” que dominava a capital francesa, assumindo o papel de “compositor dos trópicos”, normatizou sua estética nacionalista, associando-a aos procedimentos composicionais eruditos característicos do século XX. De volta ao Brasil, em 1930, Villa exerceu uma atividade abrangente no cenário musical do país, desdobrando-se em múltiplas tarefas. E continuava compondo muito. A partir de 1945, com o final da II Guerra, retomou sua carreira internacional, principalmente nos EUA, mantendo contato com célebres intérpretes e maestros. O Concerto nº 5, dedicado a Felícia Blumenthal, pianista polonesa residente no Rio de Janeiro, é o mais popular dentre as obras desse gênero do autor, com um movimento lento de grande efeito e a exuberância virtuosística de sua escrita pianística.

 

Dmitri Shostakovich (São Petersburgo, Rússia, 1906 – Moscou, Rússia, 1975) e a obra Sinfonia nº 12 em ré menor, op. 112, “O ano 1917” (1959/1961)

 

A gênese do opus 112 de Shostakovich remonta aos anos 1930, quando o então jovem compositor vivia a dualidade de criar uma música engajada, estimulada pelo regime soviético, ou adotar a postura naturalmente subversiva de todo artista verdadeiro. Foi, portanto, em pleno regime stalinista que Shostakovich teve a ideia de compor uma obra em homenagem a Lênin. O projeto inicial, que nunca foi executado, era o de escrever uma cantata. No verão de 1959, mais uma vez o compositor diz estar engajado em uma obra comemorativa a Lênin, mas que ainda não tem ideia de que forma ela teria: se oratório, cantata, sinfonia ou poema sinfônico. No ano seguinte, a partitura começa a tomar corpo e a Sinfonia nº 12 fica pronta em 1961. Sua estreia não poderia ser mais simbólica: deu-se em outubro do ano de sua conclusão, pela Filarmônica de Leningrado, sob regência do antológico Yevgeny Mravinsky. Guardadas as devidas proporções, não é exagerado dizer que a impressão que causa “O ano 1917” é a de se estar diante de uma obra herdeira da linguagem revolucionária de Stravinsky, elaborada, porém, por uma personalidade criadora forte, presente e original. Não é à toa que Shostakovich foi considerado o maior compositor russo depois de Prokofiev.

 

Fabio Martino, piano

 

Já aos cinco anos de idade Fabio Martino começou a tocar piano no instrumento de sua avó, uma professora em São Paulo. Dezessete anos mais tarde – após uma rigorosa formação no Brasil e da Alemanha –, recebeu o primeiro lugar no concurso do BNDES. No ano seguinte, 2011, Martino conquistou o primeiro lugar no concurso internacional de piano do Círculo Cultural da Economia Alemã. Em 2013, lançou seu primeiro álbum solo com obras de Brahms, Schumann e as primeiras audições mundiais da Terceira sonata para piano de York Höller e dos Três estudos intervalares de Edino Krieger. Seu segundo álbum, Passion, recebeu elogios da revista Klassikheute. Seus concertos e recitais, nas principais salas de concerto ou em festivais como Festival Internacional de Piano de Miami, no Gilmore Festival ou no Heidelberger Frühling, na Rádio NDR, em Hannover, ou no Gasteig, em Munique, deixaram o público e a crítica especializada extremamente impressionados. Detentor de mais de vinte premiações, em 2017 obteve segundo lugar no Prêmio Alemão de Pianistas e foi agraciado no IV Concurso Internacional de Concertos para Piano e Orquestra de Shenzhen, China. Como uma marca registrada, apresenta-se com uma gravata borboleta de laço feito a mão.

 

SERVIÇO

 

Série Allegro

5 de outubro – 20h30

Sala Minas Gerais

 

Série Veloce

6 de outubro – 20h30

Sala Minas Gerais

 

Fabio Mechetti, regente

Fabio Martino, piano

 

P. LUTTERBACH                   O Coração do Curupira                 

VILLA-LOBOS                        Concerto para piano nº 5

SHOSTAKOVICH                   Sinfonia nº 12 em ré menor, op. 112, “O ano 1917”

 

Ingressos: R$ 40 (Balcão Palco e Coro), R$ 50 (Mezanino), R$ 62 (Balcão Lateral), R$ 85 (Plateia Central) e R$ 105 (Balcão Principal).

 

Meia-entrada para estudantes, maiores de 60 anos, jovens de baixa renda e pessoas com deficiência, de acordo com a legislação.

Visto 110 vezes Modificado em Terça, 03 Outubro 2017 22:56